MUSEU
DE NOVIDADES
O Brechó
Santíssima! de Belo Horizonte em novo endereço, na rua
Fernandes Tourinho, 385, sobreloja.
Nada de naftalina, peças surradas e aquele ar deprê de
roupa velha entulhada tão comum nos brechós. Quer saber
por que o Santíssima é diferente? É simples, o
brechó mais descolado da cidade cuida de suas peças como
se fossem de museu. Na loja, bem instalada na Savassi, os 240 metros
quadrados de área são muito bem utilizados, seguindo uma
espécie de roteiro de viagem pelo túnel do tempo, dos
anos 40 aos dias de hoje.
Logo na entrada, o cliente se depara com o salão, onde manequins,
araras, cadeiras e balcão dão uma idéia do clima
da casa: algo retrô com sabor de futuro. Passado e presente convivem
em harmonia; excessos se equilibram no bom gosto da proprietária,
Ana Ester.
Não se espante se você vir, no amplo salão, uma
sandália prata, estilo Dancing Days, dividindo a parede com os
belíssimos estandartes religiosos do artista plástico
Marcelo Brant, de Diamantiana. Ou se um vestido de Emílio Pucci,
uma espécie de papa no lugar, estiver pendurado na parede em
um cabide perto da janela, onde estão assentadas, com as pernas
pra fora, manequins distraídas, que acompanham o movimento.
No caminho estão peças de jovens estilistas, pausa para
conhecer o trabalho de Gilson Martins, carioca de quem o Santíssima!
tem exclusividade na venda das bolsas mais modernas da atualidade. Fora
da loja de Ana Ester, as bolsas de Gilson Martins só podem ser
adquiridas nas casas do estilista, no Rio. O motivo da exclusividade
é simples: quando a grife dele ainda não era conhecida
no planeta fashion, o Santíssima! já apostava nela.
Na sala os jovens estilistas convivem, pacificamente, feras como Jotta
Sybbalena, João Queyroz, Martielo Toledo ou Victor Dzenk. O tom
contemporâneo com releitura do retrô é complementado
pelas presenças de gente experiente como Renato Loureiro, Reinaldo
Lourenço, Glória Coelho, Graça Otoni e da grife
Patachou. Tudo de primeira mão ou de pouco uso.
A segunda parada leva o visitante direto ao túnel do tempo, onde
estão as peças de brechó desde os anos 40. Roupas
íntimas como camisolas e robes de redinha disputam espaço
com vestidos de festa e outros mais simples, do dia-a-dia. Saias, blusas,
camisas e sapatos complementam o grande estoque, que permite a qualquer
um sair vestido de hippie a gótico, passando pelas variações
que a moda de todos esses anos permite.
A tem ainda uma seçnao dedicada a uma estação do
ano o inverno. Casacos de pele (fake e de animais diversos), de couro,
lã e uma infinidade de materiais permitem ao cliente se vestir
como poucos. Ana Ester explica que a proposta deste espaço é
oferecer roupas de inverno que não se encontra em qualquer lugar,
nem mesmo em outros brechós.
Em todas as “paradas”, uma certeza, as roupas do Santíssima!
têm qualidade. E não são apenas nomes da moda nacional
que habitam o lugar, em todos os espaços há roupas de
grifes estrangeiras como Pucci, Gucci, Gap, Yves Saint Laurent, Nina
Ricci, Pierre Cardin, Christian Dior, Prada, Chanel. Destaque para uma
bolsa Gucci anos 60 e um casaco de baralhos Moschino de tirar o fôlego
do mais distraído colecionador.
Por falar em colecionador, vale contar que a própria Ana é
colecionadora de preciosidades. Quem conhecer o acervo da loja (para
aluguel) terá a exata sensação de estar fazendo
um passeio completo pelo mundo da moda. São peças bem-cuidadas,
verdadeiras relíquias que, às vezes, emprestam seu charme
a produções de moda para comerciais, cinema, TV e teatro
ou festas.
Não é só, para garantir a qualidade de suas peças,
o Santíssima! tem, também, o seu ateliê de costura,
onde muitas peças são totalmente recicladas. Ana Ester
diz que, muitas vezes, apenas o tecido é aproveitado, e a roupa
passa a ter corte e estilos atuais, principalmente em se tratando de
peças para o verão.
Agora, quer saber como o Santíssima! faz para reunir e cada vez
ampliar, ainda mais, esse acervo genial? Os fornecedores podem se tornar
também clientes da loja. O brechó funciona com um sistema
de avaliação dos produtos. Aqueles aprovados recebem uma
espécie de carta de crédito, que pode ser trocada por
peças à venda na casa. Por estas e outras, é que
a viagem no Santíssima! não tem ponto de partida ou de
chegada.